sexta-feira, 5 de setembro de 2014

RESGATANDO A CIDADANIA


Existem muitos mitos em relação a animais.
Um deles fala da agressividade natural de determinadas raças caninas como Rottweiller, Dobermann, Pitbull, Mastim Napolitano, Cane Corso e outros. As fotos abaixo mostram muito bem como o comportamento do animal é diretamente proporcional a maneira como foi criado. Vejam toda a afabilidade deste Pitbull com uma garotinha que, por sinal foram criados juntos.
Agradecemos ao colega Flávio Campos a cessão e autorização do uso das fotos.



RESGATANDO A CIDADANIA


Esta é mais uma história, das muiiiitas que conhecemos, sobre animais.
Ela começa em um sábado iguais a tantos outros que já ouvimos falar.
Estamos em uma clínica veterinária acompanhando um mutirão de castração.
Mutirões em geral, levam o dia todo para serem finalizados, e como é normal,
as pessoas vão até a feira que tem bem na rua da clínica, para comprar um
pastel para acalmar a fome.
Nesta caminhada desprentensiosa de repente um vira-lata aparece com um
enorme abcesso ( que depois foi constatado que era um tumor ), bem no meio
de sua fronte. Além do aspecto impressionante, as protetoras imediatamente quiseram ajudar o animal.
Uma segura o animal como pode enquanto outra ia buscar uma guia, coleira o
que fosse possível para pegar o animal e, com era meio arredio, resolveram
pedir uma dose de Acepran para acalmar o suficiente para levá-lo a clínica.
Entre uma e outra providência, de repente o cão que aparentava ser
abandonado, passou a ter uma dona:
"Não é que o animal é meu, ele me acompanha onde vou" ( sic ) - disse ela.
Mas o melhor vem depois. Enquanto o animal vai se acalmando para ser
retirado o tumor , aparece o Mike.
Um garoto entre 7 e 9 anos, sorriso fácil, super educado e querendo saber o
que ia acontecer com o amigo dele.
Descrever todos diálogos aqui seria redundante e enfadonho.
Mas o importante era a preocupação do Mike com o que ia ser feito com seu
amigão ( de nome Arisco ). Como ele será operado ? Vai doer ? Quantas vezes
terei que passar o remédio ? Mas porque ele tem estes caroços na barriga ( apontando as
tetas )?
A protetora e sua amiga, com paciência professoral iam explicando ao Mike o
porque era necessário a cirurgia, o que ia ser feito, o porque da castração,
que seria bom para o animal que não ia brigar mais, etc etc.
E o Mike com olhos atentos e espertos ia "absorvendo" informações, fazendo
novos amigos ( quem resiste? ), e aprendendo, aprendendo.
Mais uma providência enquanto não vem a cirurgia: comprar o mínimo
necessário. E lá vão Mike e sua nova "tia" comprar ração, pote, guia e
coleira.
Na chegada a clínica já se percebe a alegria do Mike. Agora ele poderá
cuidar melhor de seu animal, já sabe como prender e usar a coleira.
E, como em todo mutirão, de repente os animais destas protetoras ( quatro
gatinhos ) foram para a cirurgia.
Ao voltarem para a recepção, pânico momentâneo: "Cadê o Mike ? "
Ninguém tinha visto o garoto sair... Será que ele volta ?
Dez, quinze minutos depois, Mike volta com uma sacolinha plástica:
"Tia comprei para você. Desculpa mas eu só tinha R$ 1,20 mas escolhi esta
cor que combina com você "
Um vasinho de cerâmica com um lírio branco de resina daqueles bem simples
.... mas
carregado de amor como nunca vi na mais perfeita e rara orquídia, campeã em
exposições.
Comoção geral. Olhos marejados, nó na garganta...
Depois de refeitos( mais ou menos ) comentei com a protetora:
" São garotos assim que fazem com que acreditemos que a humanidade tem jeito
ainda".
A protetora assentiu com um gesto de cabeça e ontem ( domingo ) ao
reencontrá-la fiquei
sabendo do ( mais ainda ) final feliz.
Ao levarem o animal na casa do garoto, a mãe as convidou que entrassem na
casa
humilde e tomassem um café com um pedaço de bolo. Coisa de gente simples,
mas de coração aberto. Mas não puderam entrar ( precisavam cuidar dos
gatos ) mas
comprometeram-se a retornar para o café com bolo. E domingo logo às 7 da
manhã,
Mike já ligou para dar notícias do Arisco e perguntar se poderia deixar ele
sair
"pois estava nervoso" por estar preso :-)))
E, para finalizar, a lição maior.
Antes era um cão com jeito de abandonado, maltratado vagando pelas ruas com
seu tumor.
Mas com o gesto destas protetoras, o animal passou a ser valorizado pelos
seus "proprietários" que com este gesto de proteção, passaram a valorizar o
animal como nunca antes o tinham feito. Arisco já tem sua carteira de
vacinação,
está castrado e sanado. E com certeza será cuidado e limpo freqüentemente.
E, tenho certeza, a proteção animal ganhou um aliado valoroso; o Mike com
seu jeitinho simples, riso fácil no rosto, mas um guardião responsável e
amoroso e, oxalá, mais um veterinário ( como ele disse que quer ser ).
O Arisco ganhou uma sobrevida. O Mike ganhou um amigo mais sadio.
E nós todos ganhamos uma coisa impagável.
Uma lição de cidadania, de amor.

Obrigado protetoras !

Nenhum comentário:

Postar um comentário